29 de outubro de 2011

A Insignificância do Cão Selvagem

O berço de ouro revela seu falso brilho
O desinteresse mostra que você sofreu mutação
As melodias calmas que escuta
Faz-te ser mais nervoso, cão selvagem

É como quando dizem 'não chora'
E então tudo desaba ao redor da casa de vidro
Ei, prenderam-no em correntes invisíveis?
Você parece estar sempre no mesmo lugar
Tudo está claro demais, porém paira
                  
Irmãos que você rejeita por ter sido rejeitado
No século passado- sem ter consciência disso
Ódio que se esconde por trás da face alegre
Por trás dos risos insignificantes que escondem dor
Ironias e deboches que aliviam mágoas passadas

Fugiu pro Canadá e nem saiu do lugar
Colocou poucas coisas na bagagem imaginária
E uniu-se com a desarmonia das cores
Ficou lá por interesse e saiu com ar de derrota
Ninguém se importa, nem você mesmo. Nem você!

É o arrastar-se como cobra em deserto
É o correr em tardes tempestuosas
É o chorar que não lacrimeja nos olhos castanhos
É o uivo silencioso do lobisomem tristonho
São essas coisas que te fazem mais forte, cão selvagem.