31 de dezembro de 2010

Tu

Encontrarás soluções alcoólicas até em pedras- chamadas de coração. Dizes que não bebes, mas teu rum está na mesa. Banquete feito, não servido. Tu enches meus olhos e esvazia minha boca. Tu enches meu coração e esvazia meu cérebro. Tu és a morte tomando minhas dores com muito gelo. Pois que a tome totalmente, então. Embebedasse de tudo o que é ruim de mim, faça-se feliz com nossas tragédias. Entre em coma por nossa causa, não se sinta culpado. Destino mal traçado, ele pretende retornar. Sem nem chegar. Embebedasse dessa tal coisa chamada afeição eterna. Tu és a morte tomando minhas dores com muito gelo, tu és a morte tomando minhas dores com muito gelo, tu és a morte tomando minhas dores com muito gelo- eu repito em pensamento.

30 de dezembro de 2010

Dois em um


E lá vem o amor com as pernas quebradas, em uma cadeira de rodas. Ele tenta vir do único jeito que pode- empurrado pela vergonha. Antigamente, ele nem gostava das coisas simples- como o cheiro de flor de maracujá ou dos pesadelos que o torturava em algumas noites. E lá vai o amor, deitar na cama e olhar para o céu do seu teto, sem nenhuma luz, sem nenhum sorriso. Ele teve tudo o que quis, e ainda tem. Ele tem dinheiro, ele tem mulheres, ele tem bebidas, ele tem ilusão, ele tem medo, ele tem a falta de si. E eu o tenho, da pior maneira possível, assim como você. Duas pessoas e um sentimento doente.

13 de dezembro de 2010

Deixe-se levar

A poesia, a calmaria.
Cada passo, cada abraço.
A benção, papai. Estou partindo.
Deixo a incerteza de que voltarei pela manhã.
Mas enquanto estarei lá, por favor, não se esqueças de mim.
Lá! Onde dor e harmonia revezam-se em diferentes noites.
Onde rostos nunca vistos, criam forma.
Onde encontro inspiração, consolo e solidão.
Vozes que não têm som, visão quase sem tom.
O inferno dos teus sonhos é um paraíso
Se acordares pela manhã.
Dias em escuro. O claro não tem vez.
240 km/h teu pensamento voa.
Super máquina que não podemos controlar.
Deite, feche os olhos, profundamente...
Deixe-se levar, não podemos controlar.
Não, não, não podemos, então, deixe-se levar.

Indig(nação)


As mesmas promessas vindas de gente diferente. As mesmas mentiras contadas por pessoas iguais. Vi muita personalidade própria ir parar embaixo do tapete, só para esse tipo de gente se tornar comum, ser mais aceitável ao que é certo para os outros. Cópias humanas visivelmente baratas. Ser autêntico é complicado, é raro. E muitos não conseguem agüentar ser real. Ao passar de um lado da linha para o outro, há burrice, sofrimento e falsidade. O ego está escasso, ninguém suporta ser e apenas ser... Independente de amor próprio, elas aceitam imaturidade e deslealdade. O que houve por aqui? A dignidade, contigo... Onde está? Nem sempre o que é mais aceitável para os outros é o mais correto para você.

6 de dezembro de 2010

(in)esperado


Tranqüilidade interior que chega sem pedir
Nervosismo que te abandona após dias a te seguir
Pulseiras que já não estão em teus pulsos
Amores complicados que não são mais confusos

Porcarias que não têm forte cheiro,
Assim como teu perfume e a água do chuveiro
Lave sua cabeça com antidepressivo
O negativo jamais vence o positivo

Há dias que a autodestruição
Atrapalha uma nova visão
De algo que pode te fazer feliz
A solução está na sua frente, então tente, tente, tente

Curativos estão aqui para te auxiliar,
Quando você se machucar,
Nos momentos que você quer desistir
Lembre-se que você está aqui por si

Não há algo mais satisfatório
Do que conseguir o que mais quer com esforço
Para mim, não há sanatório
Desenho sorriso com meu melhor esboço.