15 de junho de 2012

A Chuva e Meu Oráculo


Sento em uma cadeira
De mais ou menos minha idade
Sem o dom da escrita
Mas eis que então chove

E chuva, todos sabem,
Causa inspiração
Nas almas mais tristes
De asas quebradas
Pela incompreensão

Choro, mágoa, tristeza, chuva
Mecanismos de desabafo,
Mas seriam de defesa?
E se for de defesa,
Defender do quê?
De mim mesma...!

Dois quadros desbotados
De rosas desbotadas
Com a impressão de que
A vida se desbota
A vida se desbota...
 A vida se desbota...

Ao longo de alguns dias
Que parecem infinitos
Músicas melancólicas
Fazem com que me engasgue,
Sinta minha vontade de chorar

Ver-me no espelho
E não saber, não saber
De quem é aquele reflexo
Sinto-me neurótica,
Mas quem não é?

É triste viver com
Sentimentos mutilados,
Mas, pelo menos,
Sinto algo.
Não ando mais vazia.
E o oco tem seu fim.