19 de setembro de 2011

Janela Azul

Desejei, mais que alguém, ser um pássaro cinza em dia nublado e tempestuoso como o dia de hoje, pois este não teve medo de se aventurar com as gotas fortes que se chocam com seu pequeno corpo, tornando-o forte ao ser ousado sem a multidão perceber porque a maioria é suficientemente covarde e desatenda, a multidão que se tornou uma grande doença incurável, possuindo uma total cegueira terrena. Não me interesso pelas grandes multidões que sempre estão a ter pressa, sempre têm coisas a fazer e que tem pressa demais na vida para viver. Então tento deixá-las de lado, apesar do grande incomodo que me causam, embaralhando minhas tripas que, em vão, já tentei fazer de ás de copas. Tratemos cada pessoa de forma individual, deixemos esta síndrome de ‘generalização’ que já se tornou tola. Olhei pela janela azul meus desejos obscuros de uma tarde solitária e minhas mágoas estão a escorrer pelas calhas lá fora, enquanto rastejo por minhas veias procurando respostas sábias para perguntas tolas. Um combate entre mim e eu, mais ninguém. Tornei-me minha pior inimiga ao exercer o autoconhecimento, pois me provoco, atiço, lanço veneno para me sentir viva, uma batalha que ninguém assiste e que não se reflete nos espelhos. Mas quem disse que inimigos não nos impulsionam e nos mantêm enérgicos sem parecermos meros mortais por alguns instantes?

18 de setembro de 2011

O Domingo Sublime

Alguns poetas hão de me consolar neste momento em que me perco em mim. Estou a ler textos, poemas, crônicas de pessoas descrentes na humanidade e me tornando humana ao me identificar com elas. Então eu ensaio dizer-te um breve e seco ‘não’ e acabo por dizer um longo ‘sim’ composto de esperança e unido por milhares de palavras que não descrevem minha situação. Tenho um coração imundo e tolo que tem batido com desdém, preguiça, angústia, um coração complexado, desleixado, esquecido, mas que não se esquece das coisas que realmente importam. Tantos ex-amores aparecem e eu não consigo me importar, é como se eu tivesse construído uma prisão na qual quem está atrás das grades sou apenas eu com uma mala de sonhos já desfeita. Não sei o que você deve estar pensando agora, lógico, nunca sei. Mas eu que já considerava meus olhos secos, que não lacrimejavam mais, se esvaem em lágrimas repletas de amor, um amor que causa tristeza, um amor inseguro que tem certeza. Ah, palavras tolas que sempre surgem para me tornar mais leve perante aos outros, palavras que ninguém lê e que servem para eu desabafar comigo mesma e fingir ser alguém que nem sou para os outros, pois apenas eu sei e mesmo assim não sei ao certo. Sou um amontoado de bipolaridade constante que se perde nos próprios submundos comportamentais e espirituais. Alguém que espera a paz que nem Cristo possuiu e espera, espera, espera algo que não sabe ao certo o que é.

Rio Dos Insultos

                  Quando o seu sentimento morreu depois de um pequeno grande erro meu- uma falha
Não consegui enterrá-lo, pois não se dissolveu e nem se repartiu a cortes de navalha
Então, coloquei-o em uma redoma de vidro, ‘sin perigro’
Meu único homicídio abstrato virou um suicídio espiritual...
Fiz-te matar o sentimento e tu se vingaste em temporal

Então tu corres e eu fujo, tombamos na mesma esquina
Mas tu estás em pé e satisfeito, apenas caiu na rotina
Enquanto rastejo ofegante descubro que somos dois seres distintos e distantes
E digo-lhe que não basta a escuridão quando se tem cores vibrantes
Subitamente, em uma dor convincente, você finge radiante que eu fui bastante

Eu perdi minha mente no rio dos insultos, tudo o que vejo são apenas vultos
Das palavras que refletem nas águas meus sentimentos reais, quase imortais
Você diz- te amo! Em tom de deboche e me comporto como se eu fosse um fantoche
Nada se ameniza, nada resta a dizer, bastou sorrir como Mona Lisa para você me esquecer
Se afogue na prole dos acontecimentos, não negue cada gole de perdão e outros sentimentos

Pois é caso sério, novamente perdi a mente e confundo-me cada vez que você mente
Então se dispa dos erros, saiba que nossos corações foram reconstituídos por ferros
Enfim, mergulhe no rio de insultos até desaparecer e seremos inimigos ocultos
Ambos têm cérebros desinteressados, corpos desavergonhados e segredos dourados
Estátuas de anjos irão nos proteger na imensidão, sem tombar em esquinas ou devolver a razão.

22.08.11 

15 de setembro de 2011

7-E

Havia grandes árvores lindas, puras e secas
O inverno estava chegando ao seu fim
Um dia bonito, enevoado e morno

Você se arrasta pelas estradas
Movendo-se para outra cidade
Vendo vidas desconhecidas passar

E ver alguém caminhando em sentido oposto ao seu
É o suficiente para estragar um momento
Pelas pontes, pelos passos calmos que perturbam

Há coisas que foram feitas para acharmos perfeitas
Até jogarmos o jogo dos sete erros com elas

Então você sente raiva, solidão e mágoas
Você escuta uma música com boa melodia

Mas nada é suficiente quando se sente a ausência
De algo que nunca esteve no seu devido lugar.