29 de julho de 2011

Alma Pagã

A aurora chega com seus compridos raios de sol
A alvorada parece tão mais verde
Quando se esvazia a mente
As paredes que o homem construiu
Não tiram a visão do que criou o ser onipotente

Almas azuis com as alaranjadas vão se misturar
A vida vai fazer um vôo turbulento,
Dizem que é bom se aventurar
Pensei em escalar os rochedos dos meus segredos
Há coisas que escondo até de mim,
Não precisa ser assim

Queixas que eu tenho para dizer ficam em caixas trancadas
Vamos falar sobre nossas conquistas desejadas
Boas palavras irão manter minha mente sã
Endeuse pessoas maravilhosas,
Tenha alma pagã
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Um sorriso no rosto,
Felicidade que dá gosto
Aprenda a sorrir sem querer
E sorrirá por apenas viver
Estou bolando planos de ser feliz,
Não era o que você sempre quis?

Não Sou o Muro de Berlim

Os presentes que você me deu ainda estão aqui,
Jogados pelo chão...
Você é tão comum
E eu sinto em você algo especial
Mas você me faz mal

Eu não sou o muro de Berlim,
Mas você me enxerga assim
Me derruba, me destrói,
Me anula da sua vida
E isso dói

Nesse momento você sem remorço,
Pensa em outra
Enquanto eu tenho insônia,
Fui substituída
Moída, doída, sofrida

Ela te completa como ninguém
Eu te amei, meu bem
­
Você debocha do que me atormenta
Suas mentiras têm gosto de menta
Eu gostava do jeito de você me dominar
Mas eu tenho amado,
Amado te deixar
­
Estou presa na liberdade
Nós tínhamos a mesma idade
Mas não fazia sentido
Espero que você também seja substituído
Aqui.

Embelezar o Pomar

Minha visão está clara, não importa a miopia
Estou enxergando com o cérebro
Melhor nem enxergar com o coração
Sejamos racionais...
O que eu faço de errado você paga em dobro

Oh, quando você vai amadurecer?
Pois você está sem cuidados e sendo assim,
Acabará podre antes de embelezar o pomar
São dezessete anos de glória
Mas por que você finge ser feliz?

Beije outras bocas
Abrace outros corpos
Eu nunca estarei aí
Eu nunca estive presente

Você nunca me fez real
Eu tentei e me machuquei
Acabamos separados no final
Eu tentei, eu tentei.

28 de julho de 2011

Quinhão de Amargura

Quando você está totalmente sozinho,
Você sente uma grossa respiração
Em volta de seu pescoço?
Quando você está totalmente sozinho,
Você sente medo da morte?
­ ­
Oh, o medo de ter medo não toma conta de mim...
 ­­
Nasci da brisa dos bosques,
Do canto dos pássaros velhos,
Das notas musicais de Beethoven
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Sou flores de cemitério,
Veludo das luvas negras que tapeiam.
Vozes do cinema mudo.

Eu sou o que ninguém acha belo,
O que ninguém sente,
O que ninguém escuta
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Sente-se em minha cadeira de mentiras,
Vou contar minhas lindas histórias de amor.
Pimenta nos teus olhos vai arder
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Todo mal tem retorno
E você paga um quinhão de amargura
Antes do final
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Não, eu não me sinto mal,
Eu estou indolor e intacta
Para sentir algo desse gênero
 ­
Nada realmente me atinge
­
­
Afundada na lama de tudo o que a vida me tirou
No lixão de tudo que já não me serve mais,
Faleci para renascer entre os corvos da humanidade
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Pois sou a fênix que ninguém vê entre os demais
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Lembre-se, eu nasci da brisa
Minha aura é feita de cactos
Linda tragédia- não a toque!
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Pimenta nos teus olhos vai arder
 ­
- Ei, eu disse, não volte sem pagar
O quinhão de amargura a mim
O cobre cobre o ouro,
Vou esconder o que ainda tem valor
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Penhore seu espírito
Por um quinhão de arrependimento
Seja humano
 ­
Eu sou fênix
E nunca precisei de você.

25 de julho de 2011

Lave Suas Mãos

Você é merda afundada no esgoto, o livro que ninguém publica, o filme que não tem roteiro, a música que não tem ritmo. Você é perfume sem cheio, é uísque sem ressaca, um telejornal sem tragédias. Você é incompleto e rebelde sem motivo. Você é a taça de arrependimento, cicatriz visionária, milagre sem reconhecimento, mentira sem fundo de verdade, é loucura temporária. Você é garrafa quebrada que não vira copo após ser moldada, você é um lixo da própria sociedade que rejeita. Você é um poço sem balde, você é incêndio sem extintor e vida sem amor. Você é pergunta sem resposta, você é sufoco sem motivo, você é o ódio que eu criei e não sei mais o porquê. Você uiva, se mutila, você se sente no direito, você briga e tenta apagar suas palavras, mas elas marcam presença, você pede socorro e não estende a mão. Peça perdão aos demônios, por ter saído do lar sem avisar. Você é um pecado não confesso, um medo que se faz presente. Lave as mãos e alveje sua alma, leia nas cartas que o futuro não está nelas e viva bem. Bem longe de mim.

The Best Liar

Debaixo da areia movediça de meus pensamentos, me afundei
Por dentro do túnel de meu coração, me perdi
No mar de meus sofrimentos, eu me afoguei
Na estrada da vida, parei para abastecer meu carro
E então o motor queimou...
Na fumaça dos meus pecados, me sufoquei
Deitada no capô do meu passado, vi estrelas que jamais poderia contar
E seu brilho estava lá, seus olhos eram como elas, brilhavam como tal
Enquanto você se acha, eu me perco
E quando te acho, minha alma dança ao seu redor e desmaia
Caída e confusa, sempre por você
E cansa, cansa errar, cansa dançar no seu ritmo, cansa cansar
Pensamentos, amor, sofrimentos e dor
Escute, uma vez na vida tenha algo para dizer
O silêncio é sábio, mas não preenche o meu viver
E quer saber?
Eu quero contar com você, contar estrelas que brilham como você, pois quero brilhar também
Meu bem, minha lâmpada é de 110V e você brilha como fogos de artifício
Como consegues viver se não compreende a vida?
E como sobrevive bravamente, com ombros fortes para suportar
Enquanto eu rastejo como cobra no deserto?
Você é a incógnita que eu tento decifrar
E fico parada na estrada esperando por teus passos ao pôr-do-sol
Só e esperando o perdão de um pecador.

22 de julho de 2011

No Love

Deixe as coisas como estão. Não estenda o final, não haverá parte dois, não avisei de nenhum “to be continued”. Acabou. E sinceramente, nem era para ter um começo.
Minha vida estava boa, mas eu falhei. Algo é certo: sou boa em magoar as pessoas, inconscientemente. E apesar disso, elas vivem como borboletas, enquanto estou presa em meu casulo.
Sinto que lhe marquei com ferro quente, eu lamento- apesar de não poder tomar suas dores. Mais um erro meu. Eu incendeio tudo o que me aprisiona. Coloco mais álcool.
Eu era completa, nada me faltara até hoje, tive de tudo: ódio, amor. Acho que minha missão era passar isso para você, preencher e esvaziar você.
Ei, você não faz a mínima falta aqui, desculpe, sei que lhe magoei, mas aprenda que isso não é mortal, siga em frente, arrume planos, costure sonhos, aprenda a viver.
Você não me acrescentou nada, somente mostrou que pessoas com raiva da humanidade também fazem parte dela. Somos podres como qualquer um.
Eu, que tanto odeio pessoas, distribuo sorrisos. Hoje, descobri que a vida silenciosa e preguiçosa que arrasto me faz feliz.
Hoje, enquanto uma fina garoa cai, sinto que sou tudo o sempre quis ser. Adapte-se com o que és e terás uma vida perfeita.

16 de julho de 2011

Amor suicida

Ele escreveu uma carta suicida
Ele disse que me amava, isso é obsessão
Decidido a tirar a vida
Queria sujar de sangue meu chão
Atordoada, chamei a polícia
Arritmia cardíaca, pobre coração
Eu que não tinha fé, li a bíblia
Eu menti e paguei meus pecados
Por que os caminhos estão errados?
Eu sinto o seu cheio, eu sinto enjôo
Jamais poderia saber que ele chegaria a tal ponto
Tudo o que eu disse,nem sentia
Menti e foi muita ousadia
Fui ser sincera e senti uma facada, ele disse:
Mentira, você me ama, sua amiga me contou
Ele quase se matou, ele quase se matou
Chamou-me de depressiva
Mas foi ele que perdeu o controle da situação
Eu tomo medicamentos para dormir
E sinto sua maldita respiração
Eu quero ficar de paz com o mundo
Mas lá fora, jorra confusão
Pedi perdão a Deus
Espero que ele entenda
Não rejeite a filha tua que te rejeitou, Senhor
Eu durmo com um terço
Sem respostas tuas, eu converso

Dias confusos, dias de medo
Eu sofri tudo isso, mas é segredo.

Soneto Incerto


A coisa mais simples que pode existir é o começo
Nós o moldamos, é fácil e nada doloroso
Porém a corrente cresce e prende-se em meu tornozelo
Tornando trabalhoso meu andar ao destino

O atual momento nos tortura
Estar preso em uma cena da vida real é martírio
Quando boa, não queremos o fim
Mas quando ruim, desejamos reescrever roteiros diários

Sei como começar as coisas
Mas não sei como terminá-las
Magicamente, tudo se encaixa

Tenho medo do final
Mas sem perceber
Já cheguei ao fim.

Músculo oco bombeia sangue


Músculo oco não sabe amar
Eis que crio um ser perfeito em minha mente
E após três anos, o destruo
Então, por que é meu palácio interior que cai?
Ultimamente tenho acordado com sede
Hidrato meu corpo, mas a boca continua seca
A ausência aqui, meu caro, não é de água

O cachecol me protege do enforcamento
Do tormento e até mesmo do talento
De minhas palavras que saem por aí
Meio esquizofrênicas, meio com sentido
E cheias de razão

Meu casaco está me protegendo,
Protegendo-me da completa loucura
E se não fosse a camisa de força
Vulgo, vida misteriosa
Eu não estaria aqui

Tenho sede de viver algo que desconheço
Mas a ausência aqui, meu caro, não é de água

Tu me destróis, pois eu te criei
Alimentei-te de alma, cuidei de ti a passos longos
Sinta a geada e lembre-se de mim
Pois sou o frio da vida
Sou aquela que te faz tremer
E você gosta
Mas diz não suportar

Porém, quando tu encontras o verão
Sentes saudade de mim
Oh, ser perfeito, te criei, mas sou tua perfeição
Por que quando tu deitas na cama
Enrola-se sozinho num cobertor de outros anos
De outros sonhos, de outros planos

Eu estou sempre lá
Na escuridão da noite, no orvalho das folhas
No calcário da vida, eu nos destruí
Saí, saí
Fuji, fuji de ti, de ti
E ainda não sofri
Pois me prendi…

Na gaiola, na caixa, no meu corpo
Eu me protegi
Com minhas armadilhas
Que estou aprendendo a usar
A sanidade há de curar

Pois ser normal, não dá pra agüentar
Dá sede, pede pra deitar na rede
Tenho sede de viver algo que desconheço
Mas a ausência aqui, meu caro, não é de água
Não é.
Vida.

Preces

Não quero mais um pingo d’água no meu copo cheio
São gotas demais. Acumulou.
Não quero mais um pingo d’água.
Deus, me ajude
Quando falo teu nome
Estou conversando com meu interior
Na dúvida da tua existência
E da autoria de minha criação.
Quando digo “Deus”, ouço meu nome
Na minha cabeça, tão confusa
Quero descansar, dar um tempo aos pensamentos
Queria parar de ouvir os zunidos dos meus ouvidos
Enxergar com perfeição o que sem os óculos a vista embaça.
Estou fraca e sendo tão forte.
As mãos frias da vida têm me socado
Os pés dela, com botas de couro, têm chutado o meu traseiro
E, por mais irônico que pareça, esse frio é prova de fogo
Deus, me ajude…
22 de maio de 2011.