31 de outubro de 2010

Perdidos, mas nem tanto

Ali fiquei por um bom tempo,
Parada. Exausta. Confusa.
Olhando para o nada do puro infinito
O céu começava a mostrar suas cores
Eu gostava de cada pedaço de vida

Ali fiquei por um bom tempo
Olhando para o que não entendia
Rosas nascendo,
O vento forte dando as caras
E eu não entendia a razão de tudo aquilo

Não entendia o porquê de precisar liberar carbono
Ou de mim mesma,
A auto-suficiência às vezes parecia cruel
E não depender de alguém passou a ser ruim
Confusa, confusa, confusa, confusão...

Eu ouvi aquele som de telhas batendo acima de mim
E os vidros da janela antiga quase se quebraram
Assim como minha cara ao perceber que viver só não basta
Comecei a ver por outros ângulos e pausei a vida por um tempo

Tic-tac, tic-tac, de nada vale estar aqui sem saber o que fazer
Perdidos, mas nem tanto
Estamos onde estamos,
Apenas não sabemos pra onde iremos
E agora, viver sozinha, novamente não parece tão ruim.

23 de outubro de 2010

Contos Noturnos

Tenho esperado menos
Para me surpreender mais
Cansei de estar cansada
De olhar para o relógio
E voltar a dormir.

Tenho vivido menos
Mas também sei que não posso viver demais
Cansei de ficar deitada
De transformar meu quarto em refúgio
E querer voltar a sumir.

Escute vocais femininos de uma banda
Quando os latidos ao lado cessam
Acenda as luzes,
Dance de madrugada só
E não se preocupe com o sol.

Escolha o improvável,
Beba algo doce
Logo após, chupe um limão com sal
E sinta seus dentes fortes
Se for capaz.

Crie seu próprio conto noturno
Brigue
Mas queira paz
Procure o absurdo
Grite perto de um surdo.

Escute vocais femininos de uma banda
Quando os latidos ao lado cessam
Acenda as luzes,
Dance de madrugada só
E não se preocupe com o sol.

22 de outubro de 2010

42g de alma

O tempo está aqui
Porém foge e se perde
Tudo o que resta é nada mais que nada
O que devemos esperar?
E até quando?

Sei que cada alma pesa 21g
Eu e você juntos
42g neste momento
42g...
Pastos verdes, lindas gramas.

Vejo sombras,
Mas elas não me enxergam
Vejo flashes do céu
Mas ele não me vê
Gotas intensas, meia-noite, postes laranja.

Duas luas, duas estrelas, duas pessoas
Cada uma em um lugar
Oh, as almas?
Estão juntas,
Onde devem estar.

18 de outubro de 2010

Dez horas de total escuridão

As guerras movem o mundo
Sim, movem... Para outra dimensão,
Outro plano sem planos para ir.
E os nossos “planos”?
Nem sequer podemos ter um.

Onde almas, corpos e sonhos se destroem
A cada tiro solto, certo, errado,
A cada tiro ouvido, sentido, perdido
Quando o impossível se torna real
Quando a comoção com o desconhecido vira banal.

Quando ateus rezam
E católicos perdem a fé
A guerra está aí, aqui, lá:
O salário aumentou R$15,00 junto com os juros
Mas seu filho sente fome. Por quê?

Tudo tem mais valor, menos você, sua família
E seu lar que nem é seu
A conta de luz vence e você perde
Não pode pagar,
E sua companhia agora são dez horas de total escuridão.

Os desgraçados do governo?
Estão ricos e gordos
O país está pobre e anêmico
Sem consciência, atitude, noção
E você sabe.

O ridículo dorme na sua cama
Enquanto você pede dinheiro emprestado
“Lhe pago ao fim do mês”
Não paga, não consegue
Ainda falta...

As guerras movem o mundo
E movem ele contra nós.
Mas pobre dos ricos, sinto aflição!
Enquanto morremos
Eles ouvem na tevê o barulho do canhão.

Contam carneirinhos
Enquanto perdemos nossos caminhos
Onde foi parar nossa direção?
Simples:
Outro plano, outra dimensão.

666

Eles verão o verão e não sentirão
Não, não sentirão coisa alguma, nem frio nem calor
Não haverá alegria nem dor
Tudo se resumirá em nada
E então o mal podre começará a cheirar bem

Que descansem em paz
Já que tuas vidas não deixaram
Atordoados por vulcões de obrigações
Deixam para viver tuas vidas
Quando não se há mais vida

Humanos são seres racionais que não pensam
Ora, francamente, esta é a verdade
Nem todos têm o 666 tatuado no corpo
Mas que bestas são...
Loucos lúcidos em pleno fim dos tempos.

14 de outubro de 2010

Deixo

Hoje, a chuva que se foi me deixou triste,
Flores ao chão
Viradas em pétalas mortas e nada mais,
As vidas delas acabaram por aqui,
Enquanto eu dormia, elas estavam a morrer.
Eu também morri? Quando deito deixo de existir?
O que sei é que:
Deixo de existir a cada suspiro que vira passado,
A cada sono que ganho
E cada dia que deixo de aproveitar.
Deixo de existir a cada lágrima que derramo,
Cada sorriso que deixei pra traz,
A cada respiração do pulmão,
A cada batida do coração.
Deixo de existir a cada novo hoje que vira ontem
O amanhã sempre chega, mas não pra sempre
E nós cansamos de saber.
Até quando? Até quando isso vai existir?
Vivemos sabendo que vamos embora,
E agora? E agora?
Existindo por existir,
Existindo para deixar de existir...