28 de agosto de 2011

Mil Dias e Um Pouco Mais

Não adianta você procurar amores ordinários
Enquanto você souber que eu te quero bem
Que o que sentimos não está nos dicionários
Nós somos capazes de ir muito mais além
 Juntos somos melhores e extraordinários

Que cansamos de saber que
Ninguém me substitui aí
Ninguém te substitui aqui
Que isso já não tem um porquê
E só acontece entre mim e você

Você faz eu me sentir assim, completa enfim
Te juro por Deus, te juro por mim
Que o céu fica alegre depois das tempestades
Quando nos repartimos em pedaços para
Logo após unirmos nossas melhores metades

Sinto como se as promessas
Estivessem implorando para serem vividas
Quando jogamo-las ao vento
Elas necessitaram ser cumpridas
Sem despedidas, sem saídas, sem medidas

A melhor coisa que me aconteceu
Nem era coisa, era pessoa!
E no espírito rejuvenescido permaneceu
Não estava à toa, não estava à toa
Está comprovado: eu sou tua e tu és meu

25 de agosto de 2011

A Cegueira Que Faz Enxergar

Estava folhando algumas revistas antigas, com páginas já rasgadas- algumas sem capa. Quando um homem entrou na sala do consultório odontológico onde eu estava. Ele tinha olhos lindos e claros. E quando caminhava, com ajuda de uma senhora, parecia que seus pés flutuavam, ele parecia nem depender dela, como se fosse um agrado ela estar ali. Ele era magro e isso ajudava na minha ilusão de ótica. Eu sou míope, mas vi com nitidez quando ele se sentou. Eu estava olhando para fora, tentando ler o que estava escrito na placa em diagonal quando a senhora roliça que usava óculos igualmente redondos e cabelo curto disse: ele é cego. Eu não conseguia parar de olhar para ele, ele estava posicionado em minha direção como se estivesse me observando também e sorria. Eu tive vontade de chorar. Porque eu sempre reclamo de tudo um muito e torno-me chata a ponto de eu mesma não suportar a chatice. Então ele entrou na sala do dentista. E fiquei pensando nisso sem ninguém notar, enquanto fingia ler palavras de uma revista que nem me interessavam, passando os olhos dentre letras, tentando me enganar que aquilo não me afetava. Mas afetava. Porque ele não sabe a cor da roupa que veste, não sabe o formato do dente que vai tratar, não conhece o chão que pisa e talvez ele nem conheça quem o segura pelo braço esquerdo para guiá-lo pela vida. E mesmo assim, ele não se limita ao sorrir para o vazio. Mas quando ele sorriu para o vazio, ele preencheu a sala e apenas eu me senti satisfeita com isso. E eu me limitava, eu era um ser ilimitado, mas me limitava até então, aliás, ainda me limito, eu não me esforço para nada, afinal nem para respirar necessito de esforço, não é mesmo? Mas este homem mudou a minha percepção sem saber. Eu não sei nada sobre ele, além da falta de sua visão e algum possível problema dentário, não sei nem seu nome e a probabilidade de reencontrá-lo é quase nula. Ele nunca saberá que eu estive ali, ocupando uma cadeira frente a ele algum dia e refletindo sobre a visão do mundo por causa de alguém que nem o vê. E, me questionando, cheguei a conclusão que cegos somos nós que não vemos porque nos negamos a ver os pontos positivos que a vida nos oferece, enquanto cegos que, de fato, não têm visão, ensinam pessoas como eu a apreciar um pouco de tudo e ver beleza onde ninguém vê.

17 de agosto de 2011

Ronronando Bem-Viver

Sabe aquela saudade que mói o peito, mas de algo que você nunca viveu? Admito, eu sinto! Hoje percebi que estou de bom humor, tudo ocorreu bem, como o esperado.  Consolei um homem de par de olhos azuis, sugeri algo que as pessoas esquecem: nos momentos de emoção, não chore, sorria por algo ter ocorrido bem! Eu não digo mais “Chora, chora... Chorar faz bem”, chorar para quê? Se tivermos os sorrisos, as gargalhadas, os abraços, o brilho no olhar? Suas dores não são as piores. As pessoas têm o maldito costume de dizer: só acontece comigo. Como se elas fossem destinadas a viver algo que jamais alguém viveu. Ei, nós somos sobrecomuns: somos gente, fomos crianças! Nossos momentos, sentimentos, lógico, são mais intensos, pois são nossos. Só que não se engane, você não veio ao mundo sozinho. Mas pode sair do mundo dessa maneira, então mantenha-se na memória de quem gosta, faça por merecer. Hoje senti uma imensa vontade de ter alguém para reclamar comigo, mas bendito sois, não tinha ninguém! E a felicidade se aconchegou aqui, no meu colo, como gato sonolento, ronronando bem-viver. Sabe o que eu disse lá no comecinho? Aquela saudade, é um desejo interno, então, liberte-se. Ninguém irá viver por você, mas você pode escolher quem vai viver com você, pois peneiramos, filtramos, selecionamos as pessoas que vão fazer parte de nossas vidas. E quando elas partem, seu coração tem de se repartir, sabe para quê? Para compartilhar sua vida com novas pessoas, com momentos reais.


1 de agosto de 2011

Angelito

¿Lo que pasa en la cabeza
Cuando el dolor empieza?
Te doy mi par de ojos casi ciegos
Para verte mejor con el corazón.
Eso yo no te niego.