4 de janeiro de 2010

Um passado não tão distante

A chuva cai lá fora, é noite, apenas os postes  velhos iluminam, mesmo assim é escuro, os raios de vez em quando se mostram presente e tudo clareia-se, é  algo tão magnífico esses momentos de luz, não há pessoas na rua, apenas uma rua deserta, sem vida, todos estão em suas casas, uns acordados iguais a mim, outros adormecem, resolvo purificar-me, corpo, alma, mente & coração, tomo um banho de chuva, feito criança corro, vejo um lugar abandonado, penso em quantas vidas já passaram por ali, quantas alegrias, tamanhas tristezas de alguns, quantos amigos fizeram, quantos amores, quantas desilusões, não os viram mais... O tempo passa e às vezes injusto separa as pessoas. Enquanto saio vejo uma pequena menina brincando de pular corda, algo bizarro, pois lá só havia eu, de repente ela some, tento correr atrás, paro e eu percebo que era eu, era eu em minha infância, em minha antiga escola, era tão feliz, grande parte da minha vida e de muitas vidas ficaram ali e na lembrança ou esquecimento de cada um. Chego em casa, roupa ensopada, tomo um banho quente e sento no sofá de frente pra janela, a chuva ainda cai e eu sinto uma espécie de vazio, paro pra pensar no que vi, quando me vi, acho que de certa forma aquela corda representava minha vida, ela gira e tudo muda, e eu pulando ela era como se fosse eu superando meus obstáculos, nem sempre consigo, mas é só novamente tentar, quantas pessoas que eu tanto amei foram tiradas de minha vida e não voltaram mais, fui tola em perdê-las, pois as amei demais.

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