3 de junho de 2010

Ela sabe.


Ela anda de um jeito desengonçado, um jeito sem jeito.
Faz tudo que tenha começo, meio e fim inesperados.
Anda meio insana. Mudou. Ficou meio assim, só, sal, sol.
Chamam ela de amarga, de salgada.
O que ninguém sabe-ela não deixa transparecer- é que sabia ser doce, mas a validade venceu.
Tipo boneca a pilha, mas a pilha já acabou.
Ela sabe inovar, mas quer ivelhar*.
Ela sabe se virar, mas quer ficar parada.
Ela sabe correr, mas prefere caminhar.
Sedentarismo, ironia, sarcasmo, insanidade.
Não quer chamar a atenção, diz que ela é surda.
Igual, convencional... Isso faz-lhe mal.
Ela é do tipo que gosta do incomum, às vezes até da dor.
Não é questão de ódio, nem de amor.
Ela somente mudou, e sente-se bem assim.
Diz que o eu não vive sem mim.


*Ivelhar é um neologismo, o sig. dele no texto seria o antônimo de inovar. :)

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