Havia muita erva seca em cestas- eram medicinais. E quadros de gente que eu nem conhecia. Em alguns cômodos, o chão não era firme o bastante, o assoalho estava preste a quebrar. Alguém irá cair naquele porão cheio de água suja- pensei. Os telefones tinham mais de 30 anos e chiavam de uma forma estranha. Uma lâmpada piscava constantemente. Nas madrugadas, a TV se desligava sozinha. Quando chovia, alagava um quarto que já estava podre do chão ao teto. As janelas praticamente grunhiam feito porco quando as abriam. Baratas, cupins, aranhas... Eram hóspedes do local. Na cozinha, um relógio com pêndulo que parecia olhar pra você e assusta. Tic-tac-boo. Enquanto eu escrevia, faltou luz. Minha espinha saltou, gelou, senti medo. O céu escureceu. Aquele era meu lar. Show de horrores particular. Só eu prestava atenção aos detalhes, eu gostava de lá, assim como gato gosta de novelo amarelo sem entender o porquê.
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