Sento em uma
cadeira
De mais ou
menos minha idade
Sem o dom da
escrita
Mas eis que
então chove
E chuva,
todos sabem,
Causa
inspiração
Nas almas
mais tristes
De asas
quebradas
Pela
incompreensão
Choro,
mágoa, tristeza, chuva
Mecanismos
de desabafo,
Mas seriam
de defesa?
E se for de
defesa,
Defender do
quê?
De mim
mesma...!
Dois quadros
desbotados
De rosas
desbotadas
Com a
impressão de que
A vida se
desbota
A vida se
desbota...
A vida se desbota...
Ao longo de
alguns dias
Que parecem
infinitos
Músicas
melancólicas
Fazem com
que me engasgue,
Sinta minha
vontade de chorar
Ver-me no
espelho
E não saber,
não saber
De quem é
aquele reflexo
Sinto-me
neurótica,
Mas quem não
é?
É triste viver
com
Sentimentos
mutilados,
Mas, pelo
menos,
Sinto algo.
Não ando
mais vazia.
E o oco tem
seu fim.

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