Eu olhei em
seus olhos amendoados e senti vontade de chorar. Eu lhe disse: olhe, algumas
pessoas acham o amor aos 50. E ele me abraçou na cama de cobertores bagunçados
de inverno e respondeu: nós o achamos cedo e vamos passar dos 50. E devo dizer
que fiquei meio amedrontada por tais palavras de conforto e paixão. E não é
isso que as pessoas esperam? A busca eterna pelo maior sentimento humano? O
fato de eu nunca estar satisfeita com nada me entristece. Mas não posso negar
que ele me faz feliz, a questão é: serei capaz de ter uma vida a dois por
longos tempos? Eu sei que cuidamos bem um do outro e ele diz que às vezes até
parece um longo sonho. O medo anda entre os espaços do meu ser, nunca gostei
disso, tenho medo do que posso me tornar no amanhã, fui tão tola no passado,
fui cruel também. Já feri seu jovem coração, mas nos encontramos outra vez, em
um dia de verão febril. E começamos a andar de manhã pelas ruas e suas palavras
esticaram, e sua alma continuou igual, e ele amadureceu. Já saí da adolescência
e continuo com um coração meio de idosa, meio de garotinha amedrontada pela
vida, pela morte e pelo sonho. Muitos buscam muito tempo pelo o que eu tenho
agora e ficam melancólicos, rudes, depressivos e tantas outras coisas. Eu só
tenho uma coisa a dizer: quando você descobre o amor e sabe que ele pode durar
mais de três meses e sabe que é capaz de ir mais além, você também descobre a
preocupação e a mudança de planos. Descobri tudo isso enquanto olhei por cinco
infinitos segundos em seus olhos amendoados, amedrontada pelo amor. O nosso
amor. Um longo filme de terror, um bom filme de terror. E seu cheiro fica mais
uma vez na manga da minha camiseta, na esquerda, sabe? Pertinho do meu coração.
Dizem que ficamos babacas quando estamos nessa situação, dane-se, sempre fui
considerada babaca por meu eu do passado, não tem problema continuar sendo
assim. E se você confia em mim, eu confio em você e estamos muito bem.
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