5 de abril de 2014

Planeta Água

E se eu te contar que não te amo?
Que quase morri por engano...
Por alguém que não sabe amar?
Que fiz desse riacho um mar?
E que cada ser humano é um pouco insano?

Quando o assunto é pensar em amar
E só se há o sentimento de gostar?
Mas eu estou mentiria, você perceberia,
Você é meu planeta água
E te digo com ternura que sempre será.

7 de março de 2014

Fracas Asas

Ela se perdeu na obsessão por você
E agora, quer fugir da vida e da morte
Um cálice de lágrimas para a atordoada
Com um oceano de dor por problemas
Que ela mesma criou, ninguém mais

Uma bomba no seu meticuloso coração
Que com muita cautela não se revela,
Afoga-se nos pensamentos e não te diz
E tu só enxergas quando ela está intacta
E tu te negas a crer que precisa mudar

A moça anda na linha, anda na agulha
Alucinada, demente e louca de amor
Ela quer deixá-lo e também guardá-lo
E ela se fere em seus pensamentos
Para não se ferir em sua realidade

"- Deixe-me, mas permaneça aqui...!
Se sou o que sou é porque tu és o que és
E juntos somos o que amo e rejeito
Nas fracas asas de um querubim,
No doce gosto do nosso fel...!"-  disse ela.

24 de janeiro de 2014

Boneca de Pano

Eu caminho em uma rua sem saída
Oh, isso seria uma alusão à minha vida
Eu poderia falar as coisas horríveis que você fez
E como todas elas me deixaram na sordidez
E agora sou uma boneca de pano rasgada

Eu tentei te ajudar, rainha das incertezas
E você desconsertou todos nas redondezas
Você pode dizer que é uma pessoa sonsa
Mas eu sei que você é muito esconsa
E agora você é uma boneca de pano rasgada

Houve um escândalo silencioso na cidade
Preocupo-me, mas ninguém sabe meu nome
Eu tentei ajudar todos em busca da felicidade
Mas se o mundo é uma loja de brinquedos
Nós somos bonecas de pano rasgadas.

29 de setembro de 2013

Uma Moldura Para Dois

Eu me maquio como Brigitte Bardot
E deito com meus cabelos vermelhos
Sobre teu ombro tão cansado de ser correto
Tu me beijas com a leveza de uma pluma
É a perfeição da imperfeição do nosso amor.

Amo-te nos abraços ternos que envolvem minha alma
E nos risos frouxos que fortalecem nossas existências
Amo-te a passos lerdos para o tempo passar devagar
E nas canções que expressam sentimentos como os nossos
Amo-te pelo fato de ser quem és e de eu ser quem sou.

Observo-te com olhos de víbora inocente, franqueza brutal
Os portões do paraíso se abrem quando estou contigo
Linda gramas, belas flores, animais bonitos lá estão
Esperando por nós, pacíficos seres em tumultuado planeta
Que querem chegar lá! Lá no paraíso feito só para nós dois.

Minha vida colorida a sete cores por teus pincéis
Meu artista, colore-me como me vês na purificação
Sou quem realmente quero ser ao teu lado, meu amor
Colore-me em dias nublados de chuva tenebrosa
Preencha meu dia com sua aura magnífica
Pinte um quadro com a vida de nós dois.

25 de setembro de 2013

Uivos Sem Luar

Na minha rua tem um poste laranja
Tem o barulho dos calçados conhecidos
Fogos de artifício colorem meu céu
Os risos do amor que cultivei
E o silêncio grita por paz

Na tua rua tem a escuridão
Tem o som do sangue frio percorrendo teu coração
Uivos que lamentam por uma lua que não brilha
O longo silêncio revelou a tua solidão?
E você, na janela de um ônibus com destino ao infinito

Sentindo saudade da floresta
Você tinha a liberdade, enjaularam você
Carregaram-te para longe
O lobo não uiva mais
Sonha com a lua cheia que nunca mais terá.

27 de agosto de 2013

Corações Siameses

­Você me levou a baixo,
Amarrou minhas pernas
E meus enfraquecidos braços
Você tem um amor doce
Você tem um amor brutal

Você fez eu flutuar
Eu posso esperar tudo de você
Da dor a compaixão, eu sei
Eu jamais sairei pela porta
Te deixando para trás

Eu prometi, eu jurei, eu afirmei
Eu não vou te abandonar jamais
Agora que você é meu
Vou te revelar um pequeno segredo:
Eu esperei quase duas décadas por você

Todo aquele vazio que ecoava dentro de mim
Se preencheu com suas palavras de amor
Você sabe como dói ser sozinho, eu também sei
Um beijo de amor imortal era o que você queria
Eu te dei tudo o que estava no meu alcance

Você pode me amar mais do que os querubins te amam
Você pode cantarolar mais uma vez nossa canção de amor
Você vai me olhar com carinho e fúria quando eu adormecer
E se você nasceu pra mim, permaneça ao meu lado
E nós seremos donos do paraíso e do inferno

2 de abril de 2013

Viva-me

Eu ouvi a voz divina
D’aquela luz branca
Dizendo para mim
Que devo passar
Meus dias contigo

Eu vivo e morro
Por ti, meu amor.
Mantenho-me viva,
Overdose de pílulas,
Não irei te perder

Sugo vida,
Inalo vida,
Morte só há
Em milésimo
De segundo

Após vida
Há vida,
Minha vida
É tua vida,
Nossas vidas


PARA SEMPRE.

17 de fevereiro de 2013

O Homem do Banco Amarelo

O homem do banco amarelo contempla o vento sulista
Que sopra em suas marcas de dois séculos vividos
Cheios de dor, mágoas, sofrimento, angustia...

O homem do banco amarelo criou vidas ruins
Estragadas, de validade vencida no nascimento
Mas eu fui grata pela vida que ele me deu

O homem do banco amarelo me deu um destino
E um dia, me disse: você tem dois caminhos,
Azar é uma palavra que não deveria existir

O homem do banco amarelo parece que disse:
Nem sempre irei dizer que te amo,
Não sei me expressar, mas estarei ao teu lado

O homem do banco amarelo, advogado dos injustiçados
Que ajuda pessoas aproveitadoras também,
Contrariando suas vontades e verdades

O homem do banco amarelo conta as mesmas histórias
Repete as mesmas frases épicas e reflexivas
Que não sabe de onde vieram

Mas o homem do banco amarelo sabe o que diz
E pra quem diz; e sabe quem aprenderá ouvir
E me guia como o cão guia o cego na direção certa.

20 de outubro de 2012

Soneto das Pequenas Feras Intergalácticas

Tu me apertas contra teu corpo
E nossos mundos idênticos se chocam
em um ato de amor excêntrico e fiel
Às vezes choramos por amar demais

Os olhos que brilham como estrelas
As mãos que parecem patas de feras
Tudo de uma forma balanceada
E estranhamente exagerada a dois

Somos coadjuvantes e pequenos
Porém gigantes em sentimentos
Perdoa-me por não te amado antes

Meu corpo no teu corpo
Minha alma com tua alma
Nossas vidas estão coladas

29 de setembro de 2012

Algo Sobre Nada


Não adianta estender-lhe a mão
Quanta judiaria há em teu coração!
Por que feres a tua alma
E palavras saltam a me ferir também?

O destino escolheu que fossemos irmãs
Teu espírito não tem sequer um sentimento?
Acho que és de ferro e volta com os imãs
Contagiando a todos com tuas ferrugens...

Não adianta estender-lhe a mão
Tua alma criou-se sem braço, então?
Essa inquietude costumeira
Busca dinheiro a qualquer maneira

Se afunda sem perceber
Querendo um falso poder
Se afunda sem perceber
Aumentando nosso sofrer

Aprendi a não gostar dos vermes
Eles devoram cada pedaço do ser
Aprenda também a não se apoiar
Nos pilares dos outros, mas em si