Não quero ser, no futuro, uma mulher casada com um homem rico que só tem tempo para trabalhar na empresa e que me traia com a secretária enquanto fico guiando a babá a cuidar do meu casal de filhos no parque. Talvez com um homem de classe média, que mesmo me vendo com 67 kg e cobertura de chocolate, na ponta do nariz, que fiz para o bolo dos nossos filhos, me chame de “amor” e diga que estou linda. Não quero descolorir meu cabelo, cortar estilo Chanel e ficar bebendo uísque importado com três cubos de gelo, olhando pela janela, esperando o conversível do meu marido, que nunca passa pelo portão. Talvez eu fique na frente de casa, segurando um chimarrão e quando ele chegar de Chevette, eu divida minha cuia com ele e pergunte como foi o dia. Não quero que seja bom demais, ruim demais, eu quero o simples, eu quero o básico e fundamental, minha mãe sempre diz “o que é demais sempre sobra” e sobra mesmo. Pensando bem, eu adoraria jogar meu futuro marido no lixo! Brincadeira. No futuro, não sei se vou ter um marido traíra demais, ou amável demais. Afinal, eu não tenho a maldita bola de cristal e mesmo que tivesse não me serviria de nada. Ainda acho que meu melhor futuro é ser eu comigo mesma e mais ninguém. Não que uma família não seja importante, ela o é. Mas quando nascemos para ser sozinhos, e quando cansamos de novas cicatrizes... Eu penso em ser só, eu já sou só, e não me canso de mim. O sexo oposto sempre me atrapalhou muito, não que eu esteja sendo feminista, esse é o meu ponto de vista. Minhas experiências, minhas dores, meus medos, meus fracassos sentimentais e meus problemas. Não são seus, eu sei disso, querido. Só sou só.
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