21 de novembro de 2010

Descansem (s)em paz

Aqueles discos de vinil caíram sozinhos repentinamente mais uma vez. Como o esperado, não estava ventando. Houve um breve silêncio quando uma música clássica do rock cessou.  Movi meus olhos para baixo, lentamente. Pernas dobradas e pés completamente encardidos de tanto que dancei sozinha sem sapatos e comendo ameixas secas.
Cada coisa se mexia sozinha por aqui, nada precisava de algo pra acontecer. Começou a tocar outra música no micro system. Paredes cheias de mofo, chão sujo, poeira, teias... Eu gosto da imundice.
Quando criança, eu desejava sorte e só conseguia azar. Comecei a desejar o contrário do que era bom pra mim. Nada mudou. Mas tornou a vida mais suportável. Foi a partir daí que o ruim despertou minha atenção.
Gosto de ausência: De cor. De Luz. De mim mesma. Eu mudei o percurso certo, voltei para casa. O mundo lá fora é um grande sanatório, não agüento ficar lá por muito tempo, constantemente fujo, não há outro meio.
Quando os valores sociais vêm com juros, sinto-me um pássaro preso em plena rebeldia.
A partida é mais importante que a chegada. As lembranças são melhores que o momento em si. Lágrimas são mais confiáveis do que sorrisos, são difíceis de serem conquistadas. Os olhos são mais sinceros que os dentes.
Gosto do amargo, triste, deprimente, trágico, complicado, da presença de um trevo de quatro folhas em um acidente de carro, da dor, do sono.
A inquietude humana me aterroriza. Sei que o silêncio total é improvável. Sempre há algo acontecendo, se mexendo, vivendo...
Rosas de plástico nunca morrem. Não sinto inveja. E elas são presentes pra quem já morreu. Ora, quanta merda! Santa ironia. Este planeta é um grande inseticida e está pronto para nos matar, meus queridos insetos. Suicídio mundial? Sim! Calma, calma, calma. Sem desespero, pequenos insetos suicidas... Tomem seus comprimidos e descansem (s)em paz.

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