25 de julho de 2011

Lave Suas Mãos

Você é merda afundada no esgoto, o livro que ninguém publica, o filme que não tem roteiro, a música que não tem ritmo. Você é perfume sem cheio, é uísque sem ressaca, um telejornal sem tragédias. Você é incompleto e rebelde sem motivo. Você é a taça de arrependimento, cicatriz visionária, milagre sem reconhecimento, mentira sem fundo de verdade, é loucura temporária. Você é garrafa quebrada que não vira copo após ser moldada, você é um lixo da própria sociedade que rejeita. Você é um poço sem balde, você é incêndio sem extintor e vida sem amor. Você é pergunta sem resposta, você é sufoco sem motivo, você é o ódio que eu criei e não sei mais o porquê. Você uiva, se mutila, você se sente no direito, você briga e tenta apagar suas palavras, mas elas marcam presença, você pede socorro e não estende a mão. Peça perdão aos demônios, por ter saído do lar sem avisar. Você é um pecado não confesso, um medo que se faz presente. Lave as mãos e alveje sua alma, leia nas cartas que o futuro não está nelas e viva bem. Bem longe de mim.

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