28 de julho de 2011

Quinhão de Amargura

Quando você está totalmente sozinho,
Você sente uma grossa respiração
Em volta de seu pescoço?
Quando você está totalmente sozinho,
Você sente medo da morte?
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Oh, o medo de ter medo não toma conta de mim...
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Nasci da brisa dos bosques,
Do canto dos pássaros velhos,
Das notas musicais de Beethoven
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Sou flores de cemitério,
Veludo das luvas negras que tapeiam.
Vozes do cinema mudo.

Eu sou o que ninguém acha belo,
O que ninguém sente,
O que ninguém escuta
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Sente-se em minha cadeira de mentiras,
Vou contar minhas lindas histórias de amor.
Pimenta nos teus olhos vai arder
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Todo mal tem retorno
E você paga um quinhão de amargura
Antes do final
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Não, eu não me sinto mal,
Eu estou indolor e intacta
Para sentir algo desse gênero
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Nada realmente me atinge
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Afundada na lama de tudo o que a vida me tirou
No lixão de tudo que já não me serve mais,
Faleci para renascer entre os corvos da humanidade
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Pois sou a fênix que ninguém vê entre os demais
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Lembre-se, eu nasci da brisa
Minha aura é feita de cactos
Linda tragédia- não a toque!
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Pimenta nos teus olhos vai arder
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- Ei, eu disse, não volte sem pagar
O quinhão de amargura a mim
O cobre cobre o ouro,
Vou esconder o que ainda tem valor
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Penhore seu espírito
Por um quinhão de arrependimento
Seja humano
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Eu sou fênix
E nunca precisei de você.

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