16 de julho de 2011

Músculo oco bombeia sangue


Músculo oco não sabe amar
Eis que crio um ser perfeito em minha mente
E após três anos, o destruo
Então, por que é meu palácio interior que cai?
Ultimamente tenho acordado com sede
Hidrato meu corpo, mas a boca continua seca
A ausência aqui, meu caro, não é de água

O cachecol me protege do enforcamento
Do tormento e até mesmo do talento
De minhas palavras que saem por aí
Meio esquizofrênicas, meio com sentido
E cheias de razão

Meu casaco está me protegendo,
Protegendo-me da completa loucura
E se não fosse a camisa de força
Vulgo, vida misteriosa
Eu não estaria aqui

Tenho sede de viver algo que desconheço
Mas a ausência aqui, meu caro, não é de água

Tu me destróis, pois eu te criei
Alimentei-te de alma, cuidei de ti a passos longos
Sinta a geada e lembre-se de mim
Pois sou o frio da vida
Sou aquela que te faz tremer
E você gosta
Mas diz não suportar

Porém, quando tu encontras o verão
Sentes saudade de mim
Oh, ser perfeito, te criei, mas sou tua perfeição
Por que quando tu deitas na cama
Enrola-se sozinho num cobertor de outros anos
De outros sonhos, de outros planos

Eu estou sempre lá
Na escuridão da noite, no orvalho das folhas
No calcário da vida, eu nos destruí
Saí, saí
Fuji, fuji de ti, de ti
E ainda não sofri
Pois me prendi…

Na gaiola, na caixa, no meu corpo
Eu me protegi
Com minhas armadilhas
Que estou aprendendo a usar
A sanidade há de curar

Pois ser normal, não dá pra agüentar
Dá sede, pede pra deitar na rede
Tenho sede de viver algo que desconheço
Mas a ausência aqui, meu caro, não é de água
Não é.
Vida.

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