19 de setembro de 2011

Janela Azul

Desejei, mais que alguém, ser um pássaro cinza em dia nublado e tempestuoso como o dia de hoje, pois este não teve medo de se aventurar com as gotas fortes que se chocam com seu pequeno corpo, tornando-o forte ao ser ousado sem a multidão perceber porque a maioria é suficientemente covarde e desatenda, a multidão que se tornou uma grande doença incurável, possuindo uma total cegueira terrena. Não me interesso pelas grandes multidões que sempre estão a ter pressa, sempre têm coisas a fazer e que tem pressa demais na vida para viver. Então tento deixá-las de lado, apesar do grande incomodo que me causam, embaralhando minhas tripas que, em vão, já tentei fazer de ás de copas. Tratemos cada pessoa de forma individual, deixemos esta síndrome de ‘generalização’ que já se tornou tola. Olhei pela janela azul meus desejos obscuros de uma tarde solitária e minhas mágoas estão a escorrer pelas calhas lá fora, enquanto rastejo por minhas veias procurando respostas sábias para perguntas tolas. Um combate entre mim e eu, mais ninguém. Tornei-me minha pior inimiga ao exercer o autoconhecimento, pois me provoco, atiço, lanço veneno para me sentir viva, uma batalha que ninguém assiste e que não se reflete nos espelhos. Mas quem disse que inimigos não nos impulsionam e nos mantêm enérgicos sem parecermos meros mortais por alguns instantes?

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