2 de fevereiro de 2011

Farol

Quero ser o teu espelho
Receber o teu conselho
Duas vidas juntas, sem rodeio
Nem te amo nem te odeio
Meu confuso amante
Se te quero a todo instante
Sinto pena do meu solitário viver
Não te quero por querer
É mais que amar
Nunca consegui te odiar
Se te quero o tempo todo
É porque tu és meu iodo
É de faltar ar
Causa sufoco, causa sufoco
Sem você meu mundo é oco
É de faltar o ar
Causa sufoco, causa sufoco
E se te quero a todo o instante
É porque minha vida está em tua estante
Sirvo-lhe meu coração de bandeja no jantar
Desde que amor em mim...
Tu possas enxergar, provar, aprovar
Mas se não ver, não, não vou sofrer
Porque eu sei, é mais que amor, é mais que amar
É de faltar ar
Causa sufoco, causa sufoco.
Meu farol, meu farol
Sem ti, perco o foco.

27 de janeiro de 2011

Minhas Contradições, Teus Interesses

Nunca possuí uma foto tua,
Apenas retratos de um passado amarrotado
Que estão em minha mente
Estamos ligados um ao outro,
Conectados, mas há quedas

Eu erro, eu travo,
Eu falho, eu caio,
Eu sofro, sou teu alvo
Em coma no delírio
Meu espírito esperando ser salvo

Sou mandante, sou mandada,
Sou certa, sou errada,
Sou pálida, sou corada,
Sou amante, sou amada,
Sou teu tudo e, também, sou teu nada.

Copo Vazio

Há insetos em minha cabeça
Minha têmpora se queixa
Alguém assaltou meu banco de oxigênio
Taxas, juros, roubos
Fiquei com pouco ar

Meu copo está vazio na mesa
Meu corpo está na cama
Eu me sinto tão viva
Eu me sinto tão morta
Eu me sinto tão confusa

Procure me entender!- eu grito pra você,
Mas nem eu me entendo
E como eu posso saber o que é certo pra mim?
O “agora” é a única coisa que tento controlar
Eu deixo as palavras voarem- nem sei o que eu falei

Eu bocejo e não sinto sono
Eu estou cansada e tenho insônia
O dia clareia e meu quarto está tão escuro.
O dia passou rápido, eu assisti de relance
As pessoas reclamam do calor infernal...

E eu estou tão fria
Mas eu me sinto viva!
Eu me sinto morta
Eu me sinto tão confusa
E eu não saio do mesmo lugar

Sou uma falsa insensível,
Porque eu sinto você roubando meu ar
à milhas de distância,
Mas eu não me importo- eu não quero me importar,
Mas eu sei que você rouba, rouba meu ar.

Role os Dados

Você não vai acreditar no que tenho visto, querido.
Deslealdade em família, eu vi.
Meus pés atolaram na lama estrangeira em plena escuridão,
Eu vomitei meu amor por você.
Eu sou uma pequena ladra, não é algo intencional.
Roubei livros, revistas, corações.
Ganhei tempo no meu casulo emocional.
Seja bem-vindo!
Criei solos de guitarra,
Tomei analgésicos demais
E mesmo assim, eu vomito minhas dores por você.
 Tentaram me assaltar na cidade grande,
Oh, eu estou bem. Aceleramos o carro.
Desfiz as malas, estou em casa, estou em paz com a insônia.
E Você não vai acreditar no que tenho visto,
Pois a tolice da vida é inacreditável demais.
Role os dados. Quero um 6.
Jogue as cartas, quero um K, seja meu rei.
Dê-me um Q e serei sua rainha.
Embaralhe a vida,
Dê-me um coringa, faça-me feliz.
Dê-me a carta de copas que você contém em seu interior.
Deixe-me vencer, ao menos uma vez.
E vamos acreditar no que temos visto.

Projetos & Inimigos


Meu nível não está tão elevado, não comecei do zero e não estou totalmente no alto. O tombo não pode me ferir tanto, a subida não parece tão distante e continuar a consertar erros parece mais simples. O álcool e a fumaça não são meus inimigos- os projetos de homem são.

17 de janeiro de 2011

Pavimentação

Eu estava no escuro, com as pernas cruzadas e o cabelo preso com grampos pretos de minha mãe. Pensava em minha ansiedade e quietude. Eu era agitada para algumas coisas e simplesmente travada para tantas outras. Sou estranha e admito minha bizarrice. Encaixotei-me e nem me importo com isso. Eu estou em meu casulo, esperando o momento certo para voar. O que me assusta é pensar em quando será o tal momento certo. São três horas da manhã e sinto melancolia extrema. Todos os dias, eu sinto este buraco no espírito. O que me falta?  Qual o betume certo para minha pavimentação? Meus pés doem ao andar por essa rua esburacada, meu caminho emocional. Eu tenho acertado em errar... Devo me sentir vitoriosa? Orgulhosa? Eu nunca compreendi o porquê de não gostar de elogios, olhares desconhecidos e sorrisos efusivos e não quero ter de conviver com pessoas promíscuas e donas de almas borradas.

2 de janeiro de 2011

Derrota Vitoriosa

Um corpo nu que desliza pela parede.
Águas e lágrimas que o banham.
Mãos ao alto- este corpo se rende.
Alma a baixo- não consegue fingir firmeza.
Tuas palavras o ferem mais que uma bala de ouro.
Cada confissão,um tiro.
Ele é completo e se sente tão vazio.
Uma caixa trancada, sem chave.
Manchas amarelas em sua visão.
É tão óbvio perceber que não há ódio, apenas indagações. Ensinaram-no a gostar do abstrato. Tu sempre preferes o concreto.
Um corpo depreciado por outrem, mas ele jamais perdeu o seu valor.
Uma sombra que rasteja.
Uma porta e uma janela que se fecham.
Um sombrio céu que escurece repentinamente.
O ar que o abraça.
Duas mãos que se erguem em direção ao rosto para não ver uma derrota mal feita.
Um corpo cansado que perde e mesmo assim, se sente vitorioso.
Um trovão, uma ventania, folhas flutuantes que gritam o quão sou incapaz de tudo aos olhos de todos.
E mesmo quando eu deixo de ser eu mesma, ainda sou um pouco de mim e muito de ti.

31 de dezembro de 2010

Tu

Encontrarás soluções alcoólicas até em pedras- chamadas de coração. Dizes que não bebes, mas teu rum está na mesa. Banquete feito, não servido. Tu enches meus olhos e esvazia minha boca. Tu enches meu coração e esvazia meu cérebro. Tu és a morte tomando minhas dores com muito gelo. Pois que a tome totalmente, então. Embebedasse de tudo o que é ruim de mim, faça-se feliz com nossas tragédias. Entre em coma por nossa causa, não se sinta culpado. Destino mal traçado, ele pretende retornar. Sem nem chegar. Embebedasse dessa tal coisa chamada afeição eterna. Tu és a morte tomando minhas dores com muito gelo, tu és a morte tomando minhas dores com muito gelo, tu és a morte tomando minhas dores com muito gelo- eu repito em pensamento.

30 de dezembro de 2010

Dois em um


E lá vem o amor com as pernas quebradas, em uma cadeira de rodas. Ele tenta vir do único jeito que pode- empurrado pela vergonha. Antigamente, ele nem gostava das coisas simples- como o cheiro de flor de maracujá ou dos pesadelos que o torturava em algumas noites. E lá vai o amor, deitar na cama e olhar para o céu do seu teto, sem nenhuma luz, sem nenhum sorriso. Ele teve tudo o que quis, e ainda tem. Ele tem dinheiro, ele tem mulheres, ele tem bebidas, ele tem ilusão, ele tem medo, ele tem a falta de si. E eu o tenho, da pior maneira possível, assim como você. Duas pessoas e um sentimento doente.

13 de dezembro de 2010

Deixe-se levar

A poesia, a calmaria.
Cada passo, cada abraço.
A benção, papai. Estou partindo.
Deixo a incerteza de que voltarei pela manhã.
Mas enquanto estarei lá, por favor, não se esqueças de mim.
Lá! Onde dor e harmonia revezam-se em diferentes noites.
Onde rostos nunca vistos, criam forma.
Onde encontro inspiração, consolo e solidão.
Vozes que não têm som, visão quase sem tom.
O inferno dos teus sonhos é um paraíso
Se acordares pela manhã.
Dias em escuro. O claro não tem vez.
240 km/h teu pensamento voa.
Super máquina que não podemos controlar.
Deite, feche os olhos, profundamente...
Deixe-se levar, não podemos controlar.
Não, não, não podemos, então, deixe-se levar.