26 de maio de 2012

Harpas



Sua presença faz maior a minha solidão
O tempo passa e aumenta a frustração
A culpa é sua se nada me satisfaz?
Humanidade irracional perfura seu fígado
E sou rejeitada por aquilo que rejeito
Lixos ambulantes disfarçados de pessoas
O corpo dói, a alma dói
E ainda conseguimos sorrir para a tragédia
Vejo palavras no ar e escuto harpas dos anjos
Ou dos demônios, já não sei mais
Você quer morrer, mas tem medo da morte
Às vezes eu quero tanto você
E outras, quero que você apenas vá para longe
Se desejos só servem quando não possuímos algo
Deixe eu querer você sem ter você
Pra te querer sempre mais
E harpas angelicais ou demoníacas
Soam em meus ouvidos que doem



20 de fevereiro de 2012

12 Anos de Martírio

Mais uma noite de vinho tinto barato
Agora, embebedo silêncio com motivo
Não é para impedir que violem meu espaço
É para guardar minhas decepções atuais
Que estão sendo conservadas em frascos

Cheguei ao momento mais triste de minha vida
Estou vendo a minha pessoa-modelo fraca
De novo em hospitais, cravando agulhas
Perfurando sua pele, massacrando minha alma
O que será de mim sem você, querido pai?

Aviso a todos minha melancolia interior
Mas esta transbordou e os avisos cessaram
Todos podem ver a derrota em pessoa que sou
Apesar de meu isolamento, alguns vêm e notam

Acho que é nesse momento que meus inimigos
Riem da minha cara, cospem infinitos: bem feito
Se as pessoas não entendessem errado
Não mentissem com forte convicção
E não quisessem ser superiores, eu diria amém

Cada lágrima parece cortar minha face
Em sentido vertical...
Estou vendo meu herói evitando a partida
E eu estou evitando assisti-la
Deus... É tudo tão difícil para nós.

5 de fevereiro de 2012

O Respeito Próprio Que Necessito (Todas As Palavras Que Não Sei Falar, Apenas Escrever )

Oh, aquela sensação de vazio...
Não amando, mas ainda sendo amada
Por que este coração é cruel?
Arritmia cardíaca e nenhum amor
Eu não escolhi ser assim, mas sou

Peço perdão, mas a minha crueldade
Fazia-me chorar, ah, e muito!...
Amores que duram duas semanas e,
Simplesmente, causam claustrofobia
É o medo puro que me tornou assim

No dia-a-dia que corre na esteira
Que pinga no antigo poço de emoções
Nas folhas que caem nos verdes vales
Nos diálogos que pensei e nunca tive
Nos prólogos que jamais existiram

Lá estou. Lá estou. Lá estou!...
Aqui estou, tentando amar o tempo atual
Será que escolhi bem? Posso me redimir?
E então, permito-me amar o tempo
Para poder aprender a amar pessoas.

15 de janeiro de 2012

O Choro Do Pombo

As nuvens parecem vulcões aéreos
Na imensidão que abrange o pôr-do-sol
Mais um dia com o grito abafado e dolorido
Eu penso em você, eu enlouqueço de novo

Estou viajando para longe do que me faz mal
Do que me sufoca há mais de um, dois...
Há quanto tempo mesmo? Não lembro mais

Já nem vejo o tempo passar desde que ele
Começou a se arrastar pelo chão e esvair-se
Pelo relógio, pela porta, pela janela e por mim

Queria poder narrar as cores
Do meu céu prá você
E os tons escuros do absurdo

E agora, tudo está laranja
Estou de preto
Luto contra teu luto

Um drama básico
Para uma comediante
De alma triste

“Faça isso,
Faça aquilo,
Faça de novo,
Faça mais uma vez”

Ninguém sabe o que significa o choro do pombo
Mas sabem responder quando é época de florescer

Você pode me sentir por trás da sua dor?
Você ainda é capaz de exprimir sentimentos?

10 de dezembro de 2011

Pampas Dos Desejos

Queimando por dentro, era álcool- mas sem fogo nada é real. A ausência realmente não une os corpos, mas quem se importa? O passado é só lembrança e lembrança é pensamento. Logo, penso que tudo o que vivi poderia não ser real. Sou confuso, tu também és.

   Além de confuso, sou louco, perturbado e vivo até agora uma vida sem sentido, isso pode continuar, mas não vai, pois eu quero mudar. Vou arranjar sonhos para o futuro, mesmo que para você, eles sejam fúteis, saiba que na verdade, serão um motivo para viver, pois o que realmente quero, posso no fim, nem chegar a ter.

   Falta coragem, falta confiança, faltam palavras pra dizer, falta a certeza para saber se é certo, se o sentimento é recíproco. Se os sonhos vão me querer, se vou ter seus arreios para me guiar ao horizonte, ao pôr-do-sol sulista que insiste em me abraçar e permanecer sóbrio pelos pampas dos desejos pessoais, quase reais, que permanecem na lembrança de um sonhador. 

Luana Bentin, Isac Salustiano, Raphael Marçal.

29 de outubro de 2011

A Insignificância do Cão Selvagem

O berço de ouro revela seu falso brilho
O desinteresse mostra que você sofreu mutação
As melodias calmas que escuta
Faz-te ser mais nervoso, cão selvagem

É como quando dizem 'não chora'
E então tudo desaba ao redor da casa de vidro
Ei, prenderam-no em correntes invisíveis?
Você parece estar sempre no mesmo lugar
Tudo está claro demais, porém paira
                  
Irmãos que você rejeita por ter sido rejeitado
No século passado- sem ter consciência disso
Ódio que se esconde por trás da face alegre
Por trás dos risos insignificantes que escondem dor
Ironias e deboches que aliviam mágoas passadas

Fugiu pro Canadá e nem saiu do lugar
Colocou poucas coisas na bagagem imaginária
E uniu-se com a desarmonia das cores
Ficou lá por interesse e saiu com ar de derrota
Ninguém se importa, nem você mesmo. Nem você!

É o arrastar-se como cobra em deserto
É o correr em tardes tempestuosas
É o chorar que não lacrimeja nos olhos castanhos
É o uivo silencioso do lobisomem tristonho
São essas coisas que te fazem mais forte, cão selvagem.

19 de setembro de 2011

Janela Azul

Desejei, mais que alguém, ser um pássaro cinza em dia nublado e tempestuoso como o dia de hoje, pois este não teve medo de se aventurar com as gotas fortes que se chocam com seu pequeno corpo, tornando-o forte ao ser ousado sem a multidão perceber porque a maioria é suficientemente covarde e desatenda, a multidão que se tornou uma grande doença incurável, possuindo uma total cegueira terrena. Não me interesso pelas grandes multidões que sempre estão a ter pressa, sempre têm coisas a fazer e que tem pressa demais na vida para viver. Então tento deixá-las de lado, apesar do grande incomodo que me causam, embaralhando minhas tripas que, em vão, já tentei fazer de ás de copas. Tratemos cada pessoa de forma individual, deixemos esta síndrome de ‘generalização’ que já se tornou tola. Olhei pela janela azul meus desejos obscuros de uma tarde solitária e minhas mágoas estão a escorrer pelas calhas lá fora, enquanto rastejo por minhas veias procurando respostas sábias para perguntas tolas. Um combate entre mim e eu, mais ninguém. Tornei-me minha pior inimiga ao exercer o autoconhecimento, pois me provoco, atiço, lanço veneno para me sentir viva, uma batalha que ninguém assiste e que não se reflete nos espelhos. Mas quem disse que inimigos não nos impulsionam e nos mantêm enérgicos sem parecermos meros mortais por alguns instantes?

18 de setembro de 2011

O Domingo Sublime

Alguns poetas hão de me consolar neste momento em que me perco em mim. Estou a ler textos, poemas, crônicas de pessoas descrentes na humanidade e me tornando humana ao me identificar com elas. Então eu ensaio dizer-te um breve e seco ‘não’ e acabo por dizer um longo ‘sim’ composto de esperança e unido por milhares de palavras que não descrevem minha situação. Tenho um coração imundo e tolo que tem batido com desdém, preguiça, angústia, um coração complexado, desleixado, esquecido, mas que não se esquece das coisas que realmente importam. Tantos ex-amores aparecem e eu não consigo me importar, é como se eu tivesse construído uma prisão na qual quem está atrás das grades sou apenas eu com uma mala de sonhos já desfeita. Não sei o que você deve estar pensando agora, lógico, nunca sei. Mas eu que já considerava meus olhos secos, que não lacrimejavam mais, se esvaem em lágrimas repletas de amor, um amor que causa tristeza, um amor inseguro que tem certeza. Ah, palavras tolas que sempre surgem para me tornar mais leve perante aos outros, palavras que ninguém lê e que servem para eu desabafar comigo mesma e fingir ser alguém que nem sou para os outros, pois apenas eu sei e mesmo assim não sei ao certo. Sou um amontoado de bipolaridade constante que se perde nos próprios submundos comportamentais e espirituais. Alguém que espera a paz que nem Cristo possuiu e espera, espera, espera algo que não sabe ao certo o que é.

Rio Dos Insultos

                  Quando o seu sentimento morreu depois de um pequeno grande erro meu- uma falha
Não consegui enterrá-lo, pois não se dissolveu e nem se repartiu a cortes de navalha
Então, coloquei-o em uma redoma de vidro, ‘sin perigro’
Meu único homicídio abstrato virou um suicídio espiritual...
Fiz-te matar o sentimento e tu se vingaste em temporal

Então tu corres e eu fujo, tombamos na mesma esquina
Mas tu estás em pé e satisfeito, apenas caiu na rotina
Enquanto rastejo ofegante descubro que somos dois seres distintos e distantes
E digo-lhe que não basta a escuridão quando se tem cores vibrantes
Subitamente, em uma dor convincente, você finge radiante que eu fui bastante

Eu perdi minha mente no rio dos insultos, tudo o que vejo são apenas vultos
Das palavras que refletem nas águas meus sentimentos reais, quase imortais
Você diz- te amo! Em tom de deboche e me comporto como se eu fosse um fantoche
Nada se ameniza, nada resta a dizer, bastou sorrir como Mona Lisa para você me esquecer
Se afogue na prole dos acontecimentos, não negue cada gole de perdão e outros sentimentos

Pois é caso sério, novamente perdi a mente e confundo-me cada vez que você mente
Então se dispa dos erros, saiba que nossos corações foram reconstituídos por ferros
Enfim, mergulhe no rio de insultos até desaparecer e seremos inimigos ocultos
Ambos têm cérebros desinteressados, corpos desavergonhados e segredos dourados
Estátuas de anjos irão nos proteger na imensidão, sem tombar em esquinas ou devolver a razão.

22.08.11 

15 de setembro de 2011

7-E

Havia grandes árvores lindas, puras e secas
O inverno estava chegando ao seu fim
Um dia bonito, enevoado e morno

Você se arrasta pelas estradas
Movendo-se para outra cidade
Vendo vidas desconhecidas passar

E ver alguém caminhando em sentido oposto ao seu
É o suficiente para estragar um momento
Pelas pontes, pelos passos calmos que perturbam

Há coisas que foram feitas para acharmos perfeitas
Até jogarmos o jogo dos sete erros com elas

Então você sente raiva, solidão e mágoas
Você escuta uma música com boa melodia

Mas nada é suficiente quando se sente a ausência
De algo que nunca esteve no seu devido lugar.