27 de agosto de 2013

Corações Siameses

­Você me levou a baixo,
Amarrou minhas pernas
E meus enfraquecidos braços
Você tem um amor doce
Você tem um amor brutal

Você fez eu flutuar
Eu posso esperar tudo de você
Da dor a compaixão, eu sei
Eu jamais sairei pela porta
Te deixando para trás

Eu prometi, eu jurei, eu afirmei
Eu não vou te abandonar jamais
Agora que você é meu
Vou te revelar um pequeno segredo:
Eu esperei quase duas décadas por você

Todo aquele vazio que ecoava dentro de mim
Se preencheu com suas palavras de amor
Você sabe como dói ser sozinho, eu também sei
Um beijo de amor imortal era o que você queria
Eu te dei tudo o que estava no meu alcance

Você pode me amar mais do que os querubins te amam
Você pode cantarolar mais uma vez nossa canção de amor
Você vai me olhar com carinho e fúria quando eu adormecer
E se você nasceu pra mim, permaneça ao meu lado
E nós seremos donos do paraíso e do inferno

2 de abril de 2013

Viva-me

Eu ouvi a voz divina
D’aquela luz branca
Dizendo para mim
Que devo passar
Meus dias contigo

Eu vivo e morro
Por ti, meu amor.
Mantenho-me viva,
Overdose de pílulas,
Não irei te perder

Sugo vida,
Inalo vida,
Morte só há
Em milésimo
De segundo

Após vida
Há vida,
Minha vida
É tua vida,
Nossas vidas


PARA SEMPRE.

17 de fevereiro de 2013

O Homem do Banco Amarelo

O homem do banco amarelo contempla o vento sulista
Que sopra em suas marcas de dois séculos vividos
Cheios de dor, mágoas, sofrimento, angustia...

O homem do banco amarelo criou vidas ruins
Estragadas, de validade vencida no nascimento
Mas eu fui grata pela vida que ele me deu

O homem do banco amarelo me deu um destino
E um dia, me disse: você tem dois caminhos,
Azar é uma palavra que não deveria existir

O homem do banco amarelo parece que disse:
Nem sempre irei dizer que te amo,
Não sei me expressar, mas estarei ao teu lado

O homem do banco amarelo, advogado dos injustiçados
Que ajuda pessoas aproveitadoras também,
Contrariando suas vontades e verdades

O homem do banco amarelo conta as mesmas histórias
Repete as mesmas frases épicas e reflexivas
Que não sabe de onde vieram

Mas o homem do banco amarelo sabe o que diz
E pra quem diz; e sabe quem aprenderá ouvir
E me guia como o cão guia o cego na direção certa.

20 de outubro de 2012

Soneto das Pequenas Feras Intergalácticas

Tu me apertas contra teu corpo
E nossos mundos idênticos se chocam
em um ato de amor excêntrico e fiel
Às vezes choramos por amar demais

Os olhos que brilham como estrelas
As mãos que parecem patas de feras
Tudo de uma forma balanceada
E estranhamente exagerada a dois

Somos coadjuvantes e pequenos
Porém gigantes em sentimentos
Perdoa-me por não te amado antes

Meu corpo no teu corpo
Minha alma com tua alma
Nossas vidas estão coladas

29 de setembro de 2012

Algo Sobre Nada


Não adianta estender-lhe a mão
Quanta judiaria há em teu coração!
Por que feres a tua alma
E palavras saltam a me ferir também?

O destino escolheu que fossemos irmãs
Teu espírito não tem sequer um sentimento?
Acho que és de ferro e volta com os imãs
Contagiando a todos com tuas ferrugens...

Não adianta estender-lhe a mão
Tua alma criou-se sem braço, então?
Essa inquietude costumeira
Busca dinheiro a qualquer maneira

Se afunda sem perceber
Querendo um falso poder
Se afunda sem perceber
Aumentando nosso sofrer

Aprendi a não gostar dos vermes
Eles devoram cada pedaço do ser
Aprenda também a não se apoiar
Nos pilares dos outros, mas em si

14 de agosto de 2012

Tolos Humanos, Todos Humanos


Em época de grandes temporais emocionais
Você colhe flores invisíveis enquanto faleço
Os alarmes dos bancos soam ao meu redor
Você já percebeu como a vida é lenta morte?
Insana como os olhos sem rosto de quaisquer

Sem a luz costumeira dos postes
Trancados por dentro estaremos
A vida interna é difícil, é mais real
Todos sabem a dor da irrealidade
das palavras ditas, não pensadas

O homem faz a máquina ideal
Que por sua vez, faz o homem
E nas trocas de personalidade
Do racional com o pré-programado
Somos criaturas das nossas criações

Aprisionamos-nos em nossas armadilhas
Como é tolo tentar sempre ser esperto!
O que temos reservado para nós mesmos
É o que não reservamos, pois há falha
Sempre há a falha, a palha e o fogo

E novas idéias surgem nos erros
E ficamos burros na inteligência
Na facilidade de toda tecnologia
Humanos tornam-se seres robóticos
de suas próprias criações falhas

Tudo falha no acerto, tudo é falha
E vem fogo na palha mais uma vez
E não digam que não avisei vocês
Acendam novas idéias, acendam!
E prendam-se a elas, tolos humanos

Lá vêm tolos tentando ser espertos...
Tolos humanos, todos humanos!

23 de julho de 2012

Nossa Vida Em Seus Olhos


Eu olhei em seus olhos amendoados e senti vontade de chorar. Eu lhe disse: olhe, algumas pessoas acham o amor aos 50. E ele me abraçou na cama de cobertores bagunçados de inverno e respondeu: nós o achamos cedo e vamos passar dos 50. E devo dizer que fiquei meio amedrontada por tais palavras de conforto e paixão. E não é isso que as pessoas esperam? A busca eterna pelo maior sentimento humano? O fato de eu nunca estar satisfeita com nada me entristece. Mas não posso negar que ele me faz feliz, a questão é: serei capaz de ter uma vida a dois por longos tempos? Eu sei que cuidamos bem um do outro e ele diz que às vezes até parece um longo sonho. O medo anda entre os espaços do meu ser, nunca gostei disso, tenho medo do que posso me tornar no amanhã, fui tão tola no passado, fui cruel também. Já feri seu jovem coração, mas nos encontramos outra vez, em um dia de verão febril. E começamos a andar de manhã pelas ruas e suas palavras esticaram, e sua alma continuou igual, e ele amadureceu. Já saí da adolescência e continuo com um coração meio de idosa, meio de garotinha amedrontada pela vida, pela morte e pelo sonho. Muitos buscam muito tempo pelo o que eu tenho agora e ficam melancólicos, rudes, depressivos e tantas outras coisas. Eu só tenho uma coisa a dizer: quando você descobre o amor e sabe que ele pode durar mais de três meses e sabe que é capaz de ir mais além, você também descobre a preocupação e a mudança de planos. Descobri tudo isso enquanto olhei por cinco infinitos segundos em seus olhos amendoados, amedrontada pelo amor. O nosso amor. Um longo filme de terror, um bom filme de terror. E seu cheiro fica mais uma vez na manga da minha camiseta, na esquerda, sabe? Pertinho do meu coração. Dizem que ficamos babacas quando estamos nessa situação, dane-se, sempre fui considerada babaca por meu eu do passado, não tem problema continuar sendo assim. E se você confia em mim, eu confio em você e estamos muito bem. 

20 de julho de 2012

O Dia Em Que Voltei A Amar


Reporto-me pra o tal lugar
Dos sonhos obscuros
Dos desejos nada insanos

Eu volto a navegar
Percorro novos mares
E nem sequer sei nadar

Arrisco-me nas profundezas
Do meu ser
Estive todo tempo contigo
Sem te ver, sem me ver

Senti vontade de voar
De me aprofundar na mágoa
De sumir na dor que ninguém vê

Aquela dor que nem tem porquê
Que não faz sentido no planeta
Que ninguém quer saber
Além da curiosidade
Sem compaixão

Porque dor é assim:
Só machuca a quem sente
E os curiosos hão de se remoer

Até que em um dia amarelo
Descobri que nunca estive lá
Nem ali, nem por aí
Eu sempre estive aqui
E nesse dia, te amei.

15 de junho de 2012

A Chuva e Meu Oráculo


Sento em uma cadeira
De mais ou menos minha idade
Sem o dom da escrita
Mas eis que então chove

E chuva, todos sabem,
Causa inspiração
Nas almas mais tristes
De asas quebradas
Pela incompreensão

Choro, mágoa, tristeza, chuva
Mecanismos de desabafo,
Mas seriam de defesa?
E se for de defesa,
Defender do quê?
De mim mesma...!

Dois quadros desbotados
De rosas desbotadas
Com a impressão de que
A vida se desbota
A vida se desbota...
 A vida se desbota...

Ao longo de alguns dias
Que parecem infinitos
Músicas melancólicas
Fazem com que me engasgue,
Sinta minha vontade de chorar

Ver-me no espelho
E não saber, não saber
De quem é aquele reflexo
Sinto-me neurótica,
Mas quem não é?

É triste viver com
Sentimentos mutilados,
Mas, pelo menos,
Sinto algo.
Não ando mais vazia.
E o oco tem seu fim.

26 de maio de 2012

Harpas



Sua presença faz maior a minha solidão
O tempo passa e aumenta a frustração
A culpa é sua se nada me satisfaz?
Humanidade irracional perfura seu fígado
E sou rejeitada por aquilo que rejeito
Lixos ambulantes disfarçados de pessoas
O corpo dói, a alma dói
E ainda conseguimos sorrir para a tragédia
Vejo palavras no ar e escuto harpas dos anjos
Ou dos demônios, já não sei mais
Você quer morrer, mas tem medo da morte
Às vezes eu quero tanto você
E outras, quero que você apenas vá para longe
Se desejos só servem quando não possuímos algo
Deixe eu querer você sem ter você
Pra te querer sempre mais
E harpas angelicais ou demoníacas
Soam em meus ouvidos que doem