15 de janeiro de 2012

O Choro Do Pombo

As nuvens parecem vulcões aéreos
Na imensidão que abrange o pôr-do-sol
Mais um dia com o grito abafado e dolorido
Eu penso em você, eu enlouqueço de novo

Estou viajando para longe do que me faz mal
Do que me sufoca há mais de um, dois...
Há quanto tempo mesmo? Não lembro mais

Já nem vejo o tempo passar desde que ele
Começou a se arrastar pelo chão e esvair-se
Pelo relógio, pela porta, pela janela e por mim

Queria poder narrar as cores
Do meu céu prá você
E os tons escuros do absurdo

E agora, tudo está laranja
Estou de preto
Luto contra teu luto

Um drama básico
Para uma comediante
De alma triste

“Faça isso,
Faça aquilo,
Faça de novo,
Faça mais uma vez”

Ninguém sabe o que significa o choro do pombo
Mas sabem responder quando é época de florescer

Você pode me sentir por trás da sua dor?
Você ainda é capaz de exprimir sentimentos?

10 de dezembro de 2011

Pampas Dos Desejos

Queimando por dentro, era álcool- mas sem fogo nada é real. A ausência realmente não une os corpos, mas quem se importa? O passado é só lembrança e lembrança é pensamento. Logo, penso que tudo o que vivi poderia não ser real. Sou confuso, tu também és.

   Além de confuso, sou louco, perturbado e vivo até agora uma vida sem sentido, isso pode continuar, mas não vai, pois eu quero mudar. Vou arranjar sonhos para o futuro, mesmo que para você, eles sejam fúteis, saiba que na verdade, serão um motivo para viver, pois o que realmente quero, posso no fim, nem chegar a ter.

   Falta coragem, falta confiança, faltam palavras pra dizer, falta a certeza para saber se é certo, se o sentimento é recíproco. Se os sonhos vão me querer, se vou ter seus arreios para me guiar ao horizonte, ao pôr-do-sol sulista que insiste em me abraçar e permanecer sóbrio pelos pampas dos desejos pessoais, quase reais, que permanecem na lembrança de um sonhador. 

Luana Bentin, Isac Salustiano, Raphael Marçal.

29 de outubro de 2011

A Insignificância do Cão Selvagem

O berço de ouro revela seu falso brilho
O desinteresse mostra que você sofreu mutação
As melodias calmas que escuta
Faz-te ser mais nervoso, cão selvagem

É como quando dizem 'não chora'
E então tudo desaba ao redor da casa de vidro
Ei, prenderam-no em correntes invisíveis?
Você parece estar sempre no mesmo lugar
Tudo está claro demais, porém paira
                  
Irmãos que você rejeita por ter sido rejeitado
No século passado- sem ter consciência disso
Ódio que se esconde por trás da face alegre
Por trás dos risos insignificantes que escondem dor
Ironias e deboches que aliviam mágoas passadas

Fugiu pro Canadá e nem saiu do lugar
Colocou poucas coisas na bagagem imaginária
E uniu-se com a desarmonia das cores
Ficou lá por interesse e saiu com ar de derrota
Ninguém se importa, nem você mesmo. Nem você!

É o arrastar-se como cobra em deserto
É o correr em tardes tempestuosas
É o chorar que não lacrimeja nos olhos castanhos
É o uivo silencioso do lobisomem tristonho
São essas coisas que te fazem mais forte, cão selvagem.

19 de setembro de 2011

Janela Azul

Desejei, mais que alguém, ser um pássaro cinza em dia nublado e tempestuoso como o dia de hoje, pois este não teve medo de se aventurar com as gotas fortes que se chocam com seu pequeno corpo, tornando-o forte ao ser ousado sem a multidão perceber porque a maioria é suficientemente covarde e desatenda, a multidão que se tornou uma grande doença incurável, possuindo uma total cegueira terrena. Não me interesso pelas grandes multidões que sempre estão a ter pressa, sempre têm coisas a fazer e que tem pressa demais na vida para viver. Então tento deixá-las de lado, apesar do grande incomodo que me causam, embaralhando minhas tripas que, em vão, já tentei fazer de ás de copas. Tratemos cada pessoa de forma individual, deixemos esta síndrome de ‘generalização’ que já se tornou tola. Olhei pela janela azul meus desejos obscuros de uma tarde solitária e minhas mágoas estão a escorrer pelas calhas lá fora, enquanto rastejo por minhas veias procurando respostas sábias para perguntas tolas. Um combate entre mim e eu, mais ninguém. Tornei-me minha pior inimiga ao exercer o autoconhecimento, pois me provoco, atiço, lanço veneno para me sentir viva, uma batalha que ninguém assiste e que não se reflete nos espelhos. Mas quem disse que inimigos não nos impulsionam e nos mantêm enérgicos sem parecermos meros mortais por alguns instantes?

18 de setembro de 2011

O Domingo Sublime

Alguns poetas hão de me consolar neste momento em que me perco em mim. Estou a ler textos, poemas, crônicas de pessoas descrentes na humanidade e me tornando humana ao me identificar com elas. Então eu ensaio dizer-te um breve e seco ‘não’ e acabo por dizer um longo ‘sim’ composto de esperança e unido por milhares de palavras que não descrevem minha situação. Tenho um coração imundo e tolo que tem batido com desdém, preguiça, angústia, um coração complexado, desleixado, esquecido, mas que não se esquece das coisas que realmente importam. Tantos ex-amores aparecem e eu não consigo me importar, é como se eu tivesse construído uma prisão na qual quem está atrás das grades sou apenas eu com uma mala de sonhos já desfeita. Não sei o que você deve estar pensando agora, lógico, nunca sei. Mas eu que já considerava meus olhos secos, que não lacrimejavam mais, se esvaem em lágrimas repletas de amor, um amor que causa tristeza, um amor inseguro que tem certeza. Ah, palavras tolas que sempre surgem para me tornar mais leve perante aos outros, palavras que ninguém lê e que servem para eu desabafar comigo mesma e fingir ser alguém que nem sou para os outros, pois apenas eu sei e mesmo assim não sei ao certo. Sou um amontoado de bipolaridade constante que se perde nos próprios submundos comportamentais e espirituais. Alguém que espera a paz que nem Cristo possuiu e espera, espera, espera algo que não sabe ao certo o que é.

Rio Dos Insultos

                  Quando o seu sentimento morreu depois de um pequeno grande erro meu- uma falha
Não consegui enterrá-lo, pois não se dissolveu e nem se repartiu a cortes de navalha
Então, coloquei-o em uma redoma de vidro, ‘sin perigro’
Meu único homicídio abstrato virou um suicídio espiritual...
Fiz-te matar o sentimento e tu se vingaste em temporal

Então tu corres e eu fujo, tombamos na mesma esquina
Mas tu estás em pé e satisfeito, apenas caiu na rotina
Enquanto rastejo ofegante descubro que somos dois seres distintos e distantes
E digo-lhe que não basta a escuridão quando se tem cores vibrantes
Subitamente, em uma dor convincente, você finge radiante que eu fui bastante

Eu perdi minha mente no rio dos insultos, tudo o que vejo são apenas vultos
Das palavras que refletem nas águas meus sentimentos reais, quase imortais
Você diz- te amo! Em tom de deboche e me comporto como se eu fosse um fantoche
Nada se ameniza, nada resta a dizer, bastou sorrir como Mona Lisa para você me esquecer
Se afogue na prole dos acontecimentos, não negue cada gole de perdão e outros sentimentos

Pois é caso sério, novamente perdi a mente e confundo-me cada vez que você mente
Então se dispa dos erros, saiba que nossos corações foram reconstituídos por ferros
Enfim, mergulhe no rio de insultos até desaparecer e seremos inimigos ocultos
Ambos têm cérebros desinteressados, corpos desavergonhados e segredos dourados
Estátuas de anjos irão nos proteger na imensidão, sem tombar em esquinas ou devolver a razão.

22.08.11 

15 de setembro de 2011

7-E

Havia grandes árvores lindas, puras e secas
O inverno estava chegando ao seu fim
Um dia bonito, enevoado e morno

Você se arrasta pelas estradas
Movendo-se para outra cidade
Vendo vidas desconhecidas passar

E ver alguém caminhando em sentido oposto ao seu
É o suficiente para estragar um momento
Pelas pontes, pelos passos calmos que perturbam

Há coisas que foram feitas para acharmos perfeitas
Até jogarmos o jogo dos sete erros com elas

Então você sente raiva, solidão e mágoas
Você escuta uma música com boa melodia

Mas nada é suficiente quando se sente a ausência
De algo que nunca esteve no seu devido lugar.

28 de agosto de 2011

Mil Dias e Um Pouco Mais

Não adianta você procurar amores ordinários
Enquanto você souber que eu te quero bem
Que o que sentimos não está nos dicionários
Nós somos capazes de ir muito mais além
 Juntos somos melhores e extraordinários

Que cansamos de saber que
Ninguém me substitui aí
Ninguém te substitui aqui
Que isso já não tem um porquê
E só acontece entre mim e você

Você faz eu me sentir assim, completa enfim
Te juro por Deus, te juro por mim
Que o céu fica alegre depois das tempestades
Quando nos repartimos em pedaços para
Logo após unirmos nossas melhores metades

Sinto como se as promessas
Estivessem implorando para serem vividas
Quando jogamo-las ao vento
Elas necessitaram ser cumpridas
Sem despedidas, sem saídas, sem medidas

A melhor coisa que me aconteceu
Nem era coisa, era pessoa!
E no espírito rejuvenescido permaneceu
Não estava à toa, não estava à toa
Está comprovado: eu sou tua e tu és meu

25 de agosto de 2011

A Cegueira Que Faz Enxergar

Estava folhando algumas revistas antigas, com páginas já rasgadas- algumas sem capa. Quando um homem entrou na sala do consultório odontológico onde eu estava. Ele tinha olhos lindos e claros. E quando caminhava, com ajuda de uma senhora, parecia que seus pés flutuavam, ele parecia nem depender dela, como se fosse um agrado ela estar ali. Ele era magro e isso ajudava na minha ilusão de ótica. Eu sou míope, mas vi com nitidez quando ele se sentou. Eu estava olhando para fora, tentando ler o que estava escrito na placa em diagonal quando a senhora roliça que usava óculos igualmente redondos e cabelo curto disse: ele é cego. Eu não conseguia parar de olhar para ele, ele estava posicionado em minha direção como se estivesse me observando também e sorria. Eu tive vontade de chorar. Porque eu sempre reclamo de tudo um muito e torno-me chata a ponto de eu mesma não suportar a chatice. Então ele entrou na sala do dentista. E fiquei pensando nisso sem ninguém notar, enquanto fingia ler palavras de uma revista que nem me interessavam, passando os olhos dentre letras, tentando me enganar que aquilo não me afetava. Mas afetava. Porque ele não sabe a cor da roupa que veste, não sabe o formato do dente que vai tratar, não conhece o chão que pisa e talvez ele nem conheça quem o segura pelo braço esquerdo para guiá-lo pela vida. E mesmo assim, ele não se limita ao sorrir para o vazio. Mas quando ele sorriu para o vazio, ele preencheu a sala e apenas eu me senti satisfeita com isso. E eu me limitava, eu era um ser ilimitado, mas me limitava até então, aliás, ainda me limito, eu não me esforço para nada, afinal nem para respirar necessito de esforço, não é mesmo? Mas este homem mudou a minha percepção sem saber. Eu não sei nada sobre ele, além da falta de sua visão e algum possível problema dentário, não sei nem seu nome e a probabilidade de reencontrá-lo é quase nula. Ele nunca saberá que eu estive ali, ocupando uma cadeira frente a ele algum dia e refletindo sobre a visão do mundo por causa de alguém que nem o vê. E, me questionando, cheguei a conclusão que cegos somos nós que não vemos porque nos negamos a ver os pontos positivos que a vida nos oferece, enquanto cegos que, de fato, não têm visão, ensinam pessoas como eu a apreciar um pouco de tudo e ver beleza onde ninguém vê.

17 de agosto de 2011

Ronronando Bem-Viver

Sabe aquela saudade que mói o peito, mas de algo que você nunca viveu? Admito, eu sinto! Hoje percebi que estou de bom humor, tudo ocorreu bem, como o esperado.  Consolei um homem de par de olhos azuis, sugeri algo que as pessoas esquecem: nos momentos de emoção, não chore, sorria por algo ter ocorrido bem! Eu não digo mais “Chora, chora... Chorar faz bem”, chorar para quê? Se tivermos os sorrisos, as gargalhadas, os abraços, o brilho no olhar? Suas dores não são as piores. As pessoas têm o maldito costume de dizer: só acontece comigo. Como se elas fossem destinadas a viver algo que jamais alguém viveu. Ei, nós somos sobrecomuns: somos gente, fomos crianças! Nossos momentos, sentimentos, lógico, são mais intensos, pois são nossos. Só que não se engane, você não veio ao mundo sozinho. Mas pode sair do mundo dessa maneira, então mantenha-se na memória de quem gosta, faça por merecer. Hoje senti uma imensa vontade de ter alguém para reclamar comigo, mas bendito sois, não tinha ninguém! E a felicidade se aconchegou aqui, no meu colo, como gato sonolento, ronronando bem-viver. Sabe o que eu disse lá no comecinho? Aquela saudade, é um desejo interno, então, liberte-se. Ninguém irá viver por você, mas você pode escolher quem vai viver com você, pois peneiramos, filtramos, selecionamos as pessoas que vão fazer parte de nossas vidas. E quando elas partem, seu coração tem de se repartir, sabe para quê? Para compartilhar sua vida com novas pessoas, com momentos reais.